Educação Sexual.
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"Educação Sexual".
Estamos, na atualidade, vivendo um momento de transição, no que se refere, a
normas e padrões morais.
Saímos de uma etapa onde, vivíamos sob um padrão moral rígido, alicerçado em princípios que desabonavam tudo que se referisse a sexualidade.
Nas últimas décadas, sofremos uma verdadeira revolução sexual. Começou com a década de 60.
Com o advento da pílula e os movimentos liberacionistas, demos a primeira guinada.
Já se falava em liberdade sexual, que, em confronto com os princípios morais da época, criou o primeiro abalo na estrutura da família.
Depois vieram a mini-saia, tangas, topless, sexo livre, divórcio, cinema e revistas pornô, agora já chegamos ao nú frontal, ao sexo explícito nas telas e revistas, fala-se, em sexo grupal, casamento aberto.
E nós, como ficamos?
Será que todas estas mudanças, não justificam a importância e a necessidade de se realizar programas de Educação Sexual.
Tradição & Família
Ficou bastante claro, que os princípios em que fomos educados, falhou.
Falhou, porque, colocava a sexualidade humana, como uma coisa a parte. Éramos educados, como se sexo não existisse.
Nós, homens, aprendíamos na rua, com os mais "sabidos", e carregávamos falhas e deficiências por às vezes, toda a vida.
Nós, mulheres, aprendíamos "alguma coisa" às vésperas do casamento. Achavam, que assim ficaríamos inocentes. Confundiam "ignorância com inocência".
A insatisfação sexual e o desnivelamento alicerçado em princípios machistas, acabou gerando grande parte da desagregação da família e rompimento de casamentos.
Falhamos, disso estamos cientes.
Agora, precisamos pensar em nossas crianças e jovens, que constituem a maior parte, de nossa atual população.
Se não educarmos, como vai ficar a família, no futuro?
Quem deve educar?
Podemos colocar, que uma parte, deve caber, aos veículos de ensino.
Aquela parte mais básica, as noções gerais. Aquela parte que nos ensina, as diferenças, as funções, a anatomia, a procriação, etc.
A outra parte, cabe a família, aos pais. Que podem e devem de uma maneira amiga e natural, gerar segurança aos filhos. Podem e devem facilitar o encontro, da identidade pessoal e sexual, provendo os filhos, de segurança e afeto.
Como educar?
A educação sexual de ocorrer de maneira natural, sem ser colocada como um tema muito especial ("embora seja!"). Ela deve fazer parte, do dia-a-dia, da família.
Devemos como pais, reavaliar nossos filhos, estando sempre presente para ajudar a esclarecer dúvidas, sendo honestos, em reconhecer nossos próprios erros. O exercício da paternidade deve ser
sempre alicerçado no exercício da amizade.
Primeiros passos.
Se educar sexualmente, é educar afetivamente, podemos então começar a educação, desde o momento do nascimento.
Nada é melhor, para uma criança, do que nascer em um lar bem constituído, e, em uma atmosfera de harmonia e afeto entre os
pais.
Na infância formam-se todos os padrões comportamentais e sentimentais da criança. Com a criança, os pais também tem a oportunidade de reencontrar a emoção afetiva, muitas vezes "esquecida", ou "reprimida", pelas circunstâncias e pressões dá vida.
A condição sexual da criança.
O primeiro passo, de uma boa educação sexual, consiste, na plena aceitação da
condição sexual da criança.
É fato corriqueiro, pais desejarem filho homem ou mulher, conforme preferências ou circunstâncias, formando-se no ambiente familiar, um clima de expectativa.
Às vezes, espera-se ou deseja-se um menino e nasce uma menina, ou vice-versa, ocorrendo uma decepção, que pode ser compensada e aceita, ou então continuar
atuando em planos mais profundos da afetividade, repercutindo na vida familiar e no desenvolvimento da criança.
A criança deve ser educada, como "uma criança" e não como um "papel sexual".
Menino ou menina, devem ser educados sem "excessos de diferenciação", pois, desta forma, a criança pode aceitar a sua condição sexual naturalmente.
Não devemos nunca reforçar, ou proibir, as atitudes e brincadeiras de uma criança, baseados nas: "coisas de menino ou de menina", "brinquedos exclusivos para menino ou menina".
Estas diferenciações, só criam expectativas na criança, quanto a um "papel sexual",
impedindo, que ela se desenvolva de uma maneira natural.
Se uma menina brinca com um "carrinho ou então chuta uma bola", isto não vai torna-la no futuro, "menos mulher" ou" mais masculina".
Se um menino, "chora, brinca com uma boneca", ou se utiliza de outros, ditos "brinquedos de menina", isto não vai torná-lo menos homem "ou "afeminado".
A criança, quando age desta forma, está apenas "reconhecendo, descobrindo, aprendendo", e, isto faz parte, de seu desenvolvimento natural.
O início da sexualidade.
A sexualidade da criança, existe desde o momento do nascimento, embora não se
manifeste nas regiões genitais.
A sexualidade é o próprio " impulso de vida ", ou a " energia vital ", é aquela " mola " que impulsiona a criança para seu desenvolvimento, é aquela " vitalidade " comum da criança.
O primeiro local, onde esta energia se manifesta, é pela boca.
Pois é pela boca que a criança, tem seus primeiros contatos com o mundo, é, com a relação "boca/seio".
É através da boca, que o bebê recebe," o alimento e o afeto ", cedidos pela
mãe.
Quando a mãe, oferece o seio ao filho, não está apenas, lhe dando o alimento
necessário, à sua sobrevivência. Está, transmitindo amor, afeto e segurança.
O contato corporal, " mãe / criança ", é o ponto de partida, é a base, para uma boa formação, da estrutura da personalidade deste novo ser.
O bebê deve e precisa ser acariciado, ter muito contato corporal.
Devemos " namorar " o bebê, pois todo contato e estímulos afetivos, que ele recebe,
constituirão sua estrutura.
Este contato não cabe só a mãe, o pai deve também " pode e deve " participar.
O pai deve também, " pegar o bebê no colo ", deve " acaricia-lo ", deve participar de seu desenvolvimento desde o início, pois é uma figura de uma importância, para a formação, da identidade sexual da criança.
Isto independente da criança ser, menino ou menina.
José Roberto Paiva.
Trecho da apostila sobre Educação Sexual publicada em 1984.
Publicação revisada em 99