Educação Sexual.

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" A descoberta da sexualidade "

Devido ao grande número de questões solicitando informações acerca do procedimento, que os pais devem tomar em relação às descobertas sexuais da criança, elaboramos uma série de respostas às mais freqüentes perguntas.

Como proceder com a criança quando manipula suas fezes ?
Vários pais ficam simplesmente horrorizados quando flagram a criança brincando com seus excrementos e, em alguns casos, chegam a repressões severas.
Tal atitude é errônea, pois, em uma das etapas do desenvolvimento da criança isto é perfeitamente normal.
Nada mais é que o interêsse da criança em descobrir o mundo e seu corpo.
Para a criança, suas fezes nada têm de " sujo ", ou qualquer outra conotação que não a de sua " realização " ou sua " obra ".
Portanto uma " coisa " digna de ser " conhecida " e " explorada ".
A atitude ideal é que os pais não repreendam e sim procurem desviar a curiosidade da criança para outros estímulos.
Por substituição, o brincar com as fezes, pode ser transferido para o uso de argila, massa ou tinta (fezes limpas) e, desta forma não interferir no desenvolvimento e criatividade infantil.
A repressão pode, por um jogo associativo, levar a criança a um afastamento de seus genitais.
Isto porque, devido a proximidade da região anal e genitais, levar a criança a crença de que se as fezes são " sujas ", a região por onde são expelidas também são.
Se isto acontece, este afastamento pode perdurar por toda a vida e consequentemente trazer situações conflitivas no âmbito sexual.
Temos como exemplo disto, o caso do grande número de mulheres que julgam que sua vagina seja um órgão sujo e cujo odor é desagradável.

E quando a criança pergunta sobre a reprodução, como devo agir ?
De um modo geral as perguntas sobre reprodução são as primeiras a surgir na seqüência da curiosidade sexual.
São aquelas célebres perguntas que colocam os pais num " sufôco " e os deixam desconcertados.
Isto porque eles, os pais, também não tiveram esclarecimentos ou orientação adequada na sua época.
O ideal é ser honesto, não minta para a criança, fale com ela exatamente como acontece o fenômeno da reprodução.
Nunca protele o assunto com aquelas " justificativas ", bem típicas no sentido de " isto não é assunto para crianças " ou qualquer outra saída e nem venha com aquelas famosas histórias de " cegonha ".
Qualquer criança quando pergunta, já tem em sua mente uma parcela da resposta, portanto o melhor é esclarecer você mesmo, do que ela emendar a curiosidade com informações vindas de outras fontes.
Fica então bastante claro que transmitir informações " erradas ou mentir " é prejudicial para o desenvolvimento psicológico da criança.
Fale com ela em uma linguagem de nível adequada a ela ( isto você sabe ), não tente ser " científica " e nem se refira aos genitais utilizando apelidos.
Use os termos corretos ( pênis, vagina, útero, esperma, etc) , nunca use aquelas expressões " coisa " ou " lá embaixo " para substituir os termos corretos.
Isto pode acentuar na criança a idéia de " proibição " ou " sujeira " relativas a sexualidade.
Quando falar sobre sexo com uma criança, faça da maneira mais natural possível, não deixe que ela pense que estas informações são " muito especiais ".
Se você conseguir isto, conseguirá que ela tenha um desenvolvimento psicológico mais sadio, livre dos comuns conflitos da sexualidade e, ao atingir a maturidade ela vai encarar o assunto naturalmente e vai ser muito mais consciente de sua sexualidade.
Lembre-se, uma pessoa consciente, dificilmente procede mal ou toma atitudes errôneas.
Se você tem alguma dúvida em relação as suas ações com seus filhos, contate-nos pelo E-mail.

José Roberto Paiva.
Trecho da apostila sobre Educação Sexual publicada em 1984.
Publicação revisada em 99