Em outra matéria, já falamos sobre os aspectos psicológicos desta etapa e como a menina encara a situação de ela não possuir um pênis, assim como o menino.
Falamos, também, dos mecanismos de sublimação e compensação utilizados pela menina.
Agora vamos enfocar os aspectos externos desta situação.
Em uma etapa, a criança tem enorme curiosidade em relação a esta diferença anatômica e, é muito comum observarmos brincadeiras onde elas podem ter um contato mais direto com esta diferença.
São as brincadeiras de casinha, de médico, etc.
Grande parte dos pais quando encontra as crianças neste tipo de atividade fica impotente diante da situação ou acaba tomando atitudes agressivas.
Na realidade o que acontece é que eles encaram a situação como se fosse uma atividade libidinosa " entre adultos " e, não conseguem eliminar a " malícia " daquilo que estão presenciando.
As crianças quando estão neste tipo de atividade estão apenas satisfazendo uma curiosidade infantil e não estão, como muitos pensam, satisfazendo-se sexualmente.
O ideal, é, ao encontrar seu filh(a) neste tipo de atividade, procurar participar da ação, conduzindo as crianças a um diálogo esclarecedor, evitando assim posteriores situações.
Punir uma criança neste caso só trará problemas posteriores.
E quando esta curiosidade se estende ao olhar, por exemplo: em buracos de fechadura ou querer ir ao banho com os pais ?
Depois que a criança constatou esta diferença em outras crianças, é muito comum que sua curiosidade a leve ao interêsse de ver esta diferença nos adultos.
O ideal é que os pais satisfaçam esta curiosidade, embora na maior parte das vezes, eles, os pais, não estão preparados para enfrentar a situação.
Se vocês, pai ou mãe, não se acha capaz de se despir perto de seu filho(a), sem o sentimento de vergonha ou qualquer outro sentimento que elimina a naturalidade da ação, é melhor que não o faça.
Fale abertamente com ela, explique que a nudez não é " feia ", mas, que em função de você ter tido outro tipo de educação, você não se sente bem agindo assim.
É melhor ser honesto com a criança.
Isto despertará nela um sentimento de segurança e confiança, dialógue com ela e você descobrirá que a criança é muito mais compreensiva do que você pode imaginar.
Outra saída é, quando for se banhar, deixe a porta aberta e permita que ela entre.
O fato de você estar se movimentando, diluirá um pouco de sua " vergonha " e facilitará as coisas.
Tenha sempre em mente, que quanto mais honesto você for em relação a educação sexual de seus filhos, mais ela estarão distantes de ter problemas futuros e estarão aptos a entender que sexualidade é uma condição natural e, uma forma de " comunicação entre duas pessoas que se amam ".
Se você tem alguma dúvida em relação as suas ações com seus filhos, contate-nos pelo E-mail.
José Roberto Paiva.
Trecho da apostila sobre Educação Sexual publicada em 1984.
Publicação revisada em 99