Educação Sexual.

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A masturbação na criança.

Como os pais devem agir diante da masturbação ?

Durante muito tempo, acreditou-se, que a masturbação fosse causadora de inúmeros problemas no desenvolvimento sexual.
Hoje, no entanto, ele é considerado um fato natural em determinada fase da infância e adolescência.
E, mesmo no indivíduo adulto, ela pode ser vista sem aqueles tabus, que a acusavam de causadora de tantos males.
Na criança, a masturbação faz parte de sua descoberta sexual, assim como o menino descobre o seu pênis, a menina descobre a vagina e todas as sensações associadas a eles.
A masturbação só se monstra negativa se os próprios pais, sem habilidade, resolvem reprimi-la, usando de ameaças.
Levada por um impulso mais forte a criança continuará a se masturbar, apesar de tudo, e acabará por misturar seu sentimento de prazer e satisfação com um complexo de culpa.
Podemos verificar que grande parte das " crianças problemas ", tem um foco conflitivo gerado pela tentativa dos pais, em reprimir a masturbação.
Na mulher adulta, podemos ver o reflexo desta situação, nos casos em que a mulher torna-se excitada diante de uma situação de angustia ou depressão.
Isto ocorre por que na infância, acabou associando-se o sentimento de prazer com o de culpa e sofrimento.
A melhor medida diante da criança que se masturba, é procurar suprir suas necessidades afetivas, pois ela só se masturba em função de um processo carencial.
É evidente, que isto não fará com que a masturbação seja eliminada de imediato, mas conseguirá a reduzi-la sensivelmente.
Uma criança feliz não se masturba com a mesma frequência que a criança infeliz.
Outro ponto importante é conversar com a criança, procurando esclarecer toda sua curiosidade em relação a sua genitália.
Esta atitude trará nela um sentimento de segurança e confiança, reduzindo a curiosidade e a ansiedade.

Como os pais devem falar com a criança sobre seus genitais ?

Os pais devem ser sempre sinceros e usar os termos corretos, pois isto fará com que a criança elimine toda sua curiosidade e, com o seu desenvolvimento vá conhecendo concretamente seu aparelho genital e reprodutor.
Digo isto, porque, mesmo atualmente grande parte das mulheres não conhecem sua genitália nem seu funcionamento, chegando ao cúmulo de não saberem como ocorre uma menstruação, sabem apenas que ocorre.
Outro ponto, nunca se refira à vagina em termos comparativos com o pênis, ou como se ela fosse uma ausência de pênis.
Seja realmente mulher, quando for falar com sua filha.
Não dê aquelas explicações impregnadas de conceitos machistas.
A vagina é um órgão completo e não uma mutilação e, o clitóris não é uma miniatura de pênis, ela apenas é um clitóris, ele tem " personalidade própria ".

O que fazer sobre as brincadeiras sexuais ?

Podemos perceber, que geralmente os pais, não se preocupam, em deixar duas meninas brincando durante muito tempo em um quarto fechado, por exemplo.
Mas o mesmo não ocorre se estiver junto um menino.
A brincadeira dita sexual, nada mais é que uma passagem comum na vida de uma criança.
Ela é gerada pela curiosidade em ver espelhada sua sexualidade na outra.
Estas brincadeiras são etapas do desenvolvimento e, assim como a masturbação, elas podem ser sanadas através de um diálogo aberto e honesto e, que satisfaça a curiosidade infantil.
Se a criança sente que os pais a respeitam e compreendem seu interêsse pelo sexo, ela não exitará em questionar,e , este tipo de diálogo só trará benefícios para as duas partes.
Nunca se esqueça que uma pessoa que não tem dificuldade em relação à sexualidade é uma pessoa livre da possibilidade de tomar atitudes que lhe trarão conflitos.
Se você tem alguma dúvida em relação as suas ações com seus filhos, contate-nos pelo E-mail.

José Roberto Paiva.
Trecho da apostila sobre Educação Sexual publicada em 1984.
Publicação revisada em 99